o bebê chora... de fome vc pensa
de cólica, imagina a matrona experiente
de frio, de medo...
mas não, - me acredite, é solidão
a falta de carinho
é por ficar sozinho
sentindo abandono
no berço bem talhado e caprichado...
quando hão de entender-nos
os adultos
que precisamos do seu hálito
seu pulso
seu agrado
o colo amigo e a ternura
que é o nosso dialeto ao nascer?!
por isso vim menino
pequenino
escondido
no silêncio
entre os bichos
sem caprichos
à espera de você
do teu abraço
aconchego
do chamego
o dialeto preferido dos bebês
vem que ainda há tempo
desça das alturas da razão
me entregue o coração
e deixe as lágrimas correr
que vim feito criança
trazendo a tempestade e a bonança
desinstalando a infância esquecida
que há divina em mim
e lindamente humana em você
pois eu te amo
te amo, te amo
creia em mim!
tarciso soprou estas palavras ao vento às
12:30 PM
17.12.02
sem compromisso
Aqui não há nem sombra ao compromisso
escrevo sem censuras
bem - ao menos quase
porque tenho que ser leal
ao espaço virgem que recebe
o grito expresso e indefinido:
um bêbado que vocifera?
um notívago díspar
um bebê em seu alarme primitivo
a prostituta reclamando seu michê
ou o inocente recebendo um vil castigo?
há perigo
insinuações
temidas hecatombes
e delírios febris
só gostaria agora de um pouco de sossego!...
(let me alone)
tarciso soprou estas palavras ao vento às
11:24 AM
16.12.02
meu som tribalista
segui o conselho do ZieckZack e utilizando um programa para gerar músicas tribalistas no site Mundo Perfeito descobri que posso dar uma de Carlinhos Brown e, quem sabe, ficar rico... veja só o que saiu:
Eis sua Música Tribalista
Todo mundo no mundo
Faço Sova no salão Selvagem
Divino Sono
Ninguém é de todo mundo no mundo
Bis
Seja em Lorena, Stutgard
Vamos caguetar, Vamos arrepiar
Lagarta Lépida left you
Vamos caguetar, vamos arrepiar
Amor de tio, desmundo!
Girou a Terra, a terra de Dona
Vamos caguetar, Vamos arrepiar
Boneco Bronco, na bola
Repita 102 vezes até você ser deportado.
tarciso soprou estas palavras ao vento às
5:54 PM
nihil
não me interrompa nesta noite a madrugada
a me acordar sozinho e triste ao teu lado
e perceber a minha tez que degenera
a flacidez dos músculos
o crepúsculo fosco
e eu aqui dormente e tosco
jazendo
quase morto
e só...
tarciso soprou estas palavras ao vento às
2:44 PM
15.12.02
tédio
Em verdade a culpa é toda minha
não usei a trena das palavras
não calei o que ao silêncio convinha
e então a febre me abocanha
e insinuante queima em tocha viva
e ardo feito brasa fumegante
o peito arfante a respiração comprometida
não sei se essa é a vida que sempre desejei
mas é a que eu tenho agora
e é preciso desanuviar o horizonte imediato
do temporal que se aproxima
em mudanças repentinas
inevitáveis
ou quiçá calar de vez toda proposta
e deixar que morra de inanição
aquele desejo quase mórbido de fugir
e entrar em novo espaço de existir
permitir que as pessoas afastadas
se aproximem e façam comigo a festa
que desde há muito já queríamos
e que era impossível até então acontecer
agora pode
agora pede
agora basta
para que não se torne um pesadelo
é melhor abortar esse sonho diferente de viver!
tarciso soprou estas palavras ao vento às
3:09 PM
não morri não
Depois de um século e meio estou aqui de volta no meu blog abandonado... tá sobrando tempo e faltando o que fazer... tenho tantas palavras guardadas que transbordam e estão a sair pelo ladrão... a maioria sem qualquer sentido - mas quem disse que pretendo algum nexo - gosto do côncavo, do convexo e também do desconexo de mim... das reentrâncias, das saliências e das reticências, muitas reticências como me convém... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
tarciso soprou estas palavras ao vento às
12:10 AM